Brother

6 de Agosto de 2009, talvez o dia que mais me marcou na vida. Este dia foi o marco das duas coisas mais importantes que me aconteceram em toda a vida, uma pelo pior possível e outra pelo começo de algo muito bonito.

Eram mais ou menos 7:30 da manhã  quando acordo repentinamente com o meu pai a berrar o meu nome várias vezes seguidas e bem alto “Ruben Ruben Ruben…” , levantei-me rapidamente e fui na direcção do meu pai. Cheguei á sala e encontrei o meu pai com a cara toda vermelha e a chorar que nem um desalmado, na altura pensei que ele se estivesse a passar ou qualquer coisa do género. Mesmo assim perguntei o que se estava a passar, mas não obtendo resposta voltei a perguntar e a perguntar até que a obtive “Rubinho a mamã faleceu”. Nesse momento desejei nunca ter perguntado, senti uma espécie de choque eléctrico que não me deixava mover. Estava literalmente petrificado, fiquei neste estado de “incrênça “ Durante algum tempo. Precisei de estar sozinho por isso fiz-me à estrada e vagueei pensando na vida, principalmente no último momento em que tinha estado com ela, o último momento em que a tinha visto, olhado nos olhos e beijado aquela cara angelical e carinhosa…

Já estava internada desde dia 31 de Dezembro de 2008, irónico, tinha andado a mudar de hospital em hospital até que acabou por ficar num perto de casa. Nunca a tinham deixado vir passar um único dia a casa até ao domingo anterior, talvez já soubessem o que estava próximo e quisessem deixá-la despedir-se. Ainda me culpo por não ter aproveitado esse último dia, ainda me culpo por não a ter abraçado e ter gritado em todas as direcções que a amava com todo o meu coração.

Não queria que ninguém soubesse o que tinha acontecido, pelo simples facto das pessoas não serem honestas com os seus próprios sentimentos, apenas sentem pena e não apoiam de coração, apoiam para ficarem bem parecidas e as apontarem como invencíveis. A dor de perder uma mãe não passa com um simples suspiro ou grito.

Mas por alguma razão senti a necessidade de contar isto tudo a uma pessoa que na altura não me era nada, uma pessoa que aparentemente era como as outras todas. Mais tarde vim a saber que também sofria em segredo mas mesmo assim tirou algum tempo para me ouvir. Não foi egoísta, não foi insensível e abriu-me os braços mesmo precisando ele próprio de carinho e apoio.

Nunca irei esquecer este irmão que se cruzou na minha vida e me apoiou incondicionalmente desde então com todo coração e alma no mesmo dia em que perdi alguém muito importante. Considero que foi uma última prenda que me deu, a oportunidade de conhecer alguém puro de coração.

Foi neste dia que a nossa amizade começou e agora somos irmãos inseparáveis. Não de sangue mas sim do coração que é o que interessa.

Ruben Cardoso

~ por rubiangelo em Março 5, 2010.

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